BEM-ESTAR & ESTILO DE VIDA
Tratamento para emagrecer: quando procurar ajuda médica?
O acompanhamento para emagrecer torna o processo mais seguro, reduz o efeito sanfona e controla problemas ligados ao peso

Dra. Fernanda Tasso Borges Fernandes
5min • 20 de dez. de 2025

É indicado procurar ajuda de um profissional sempre que o peso interfere na saúde, no bem-estar ou na relação com o próprio corpo | Foto: Freepik
Um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, distúrbios metabólicos e diabetes tipo 2, o excesso de peso é uma realidade no cotidiano de 60% da população adulta no Brasil — um número que ultrapassa 96 milhões de pessoas.
O quadro costuma se instalar de forma lenta, influenciado por sedentarismo, alimentação inadequada, padrões de sono irregulares, estresse contínuo e ambientes que dificultam escolhas saudáveis. Em meio a uma rotina agitada e frequentemente sem tempo para o autocuidado, o problema pode passar despercebido por muito tempo.
Contudo, quando o peso começa a afetar qualidade de vida, saúde física ou bem-estar emocional, pode ser momento de procurar ajuda médica para emagrecer. É normal ter medo ou receio de ouvir diagnósticos indesejados, mas profissionais de saúde trabalham diariamente com cuidado, acolhimento e estratégias realistas, focadas na qualidade de vida.
“O papel do médico é oferecer um cuidado seguro, humano e sem julgamentos, construindo junto com o paciente estratégias que realmente funcionem na vida real”, esclarece a médica de família e comunidade Fernanda Tasso Borges Fernandes.
Quando procurar ajuda médica para emagrecer?
De acordo com Fernanda, é indicado procurar ajuda de um profissional sempre que o peso interfere na saúde, no bem-estar ou na relação com o próprio corpo. Isso vale para situações como:
- Ganho de peso contínuo;
- Dificuldade para reduzir ou manter o peso;
- Presença de doenças associadas, como hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono ou diabetes;
- Sofrimento emocional, queda da autoestima ou impacto na vida social e profissional.
Também é importante buscar avaliação médica antes de iniciar dietas restritivas, uso de medicamentos por conta própria ou mesmo tendências passageiras das redes sociais. O tratamento da obesidade precisa ser individualizado, seguro e baseado em evidências científicas, respeitando a realidade de cada pessoa.
A obesidade é uma doença crônica multifatorial, e qualquer médico que tenha formação e capacitação adequada, como médicos de família e comunidade, clínicos gerais ou nutrólogos, pode diagnosticar, acompanhar e tratar pessoas com sobrepeso ou obesidade, segundo Fernanda.
“Esses médicos podem avaliar o estado metabólico, orientar mudanças de estilo de vida, prescrever medicamentos quando indicados e coordenar o cuidado com outros profissionais da equipe multiprofissional. Mais do que tratar números, o objetivo é cuidar da pessoa como um todo, considerando os aspectos biológicos, emocionais e sociais que influenciam o peso e a saúde”, esclarece.
O que avaliar antes de indicar o tratamento para emagrecimento?
Antes de indicar qualquer tratamento para emagrecimento, o médico faz uma avaliação completa para entender como o organismo funciona e quais fatores podem estar dificultando a perda de peso. Segundo Fernanda, isso envolve:
- Histórico clínico e familiar (doenças associadas, uso de medicamentos, variações de peso);
- Hábitos de vida, incluindo padrão alimentar, sono, rotina e nível de estresse;
- Avaliação física detalhada, com medidas corporais, cálculo do IMC e análise da composição corporal;
- Exames laboratoriais e físicos, para identificar causas secundárias de ganho de peso;
- Avaliação comportamental e emocional, entendendo a relação do paciente com a comida e com o corpo.
Com todas as informações, o médico consegue definir quais estratégias são mais adequadas: mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional, atividade física, medicações ou uma combinação entre elas. O tratamento sempre é individualizado e alinhado à realidade de cada pessoa.
Como funciona o tratamento para emagrecer?
O tratamento para emagrecer é feito a partir de uma série de medidas que se complementam e levam em conta saúde física, rotina e limitações individuais. Ele não é focado apenas na perda de peso, mas em melhorar a qualidade de vida, reduzir riscos e criar hábitos que podem ser mantidos ao longo do tempo.
Entre as principais estratégias utilizadas hoje, Fernanda destaca:
- Mudança do estilo de vida: envolve alimentação equilibrada e possível de manter, sono de qualidade, manejo do estresse e prática regular de atividade física;
- Terapias comportamentais: apoio psicológico e educação alimentar para fortalecer a relação com a comida;
- Tratamento farmacológico: indicado quando há dificuldade em perder ou manter o peso apenas com mudanças de hábitos;
- Cirurgia bariátrica: indicada em situações específicas, sempre com acompanhamento médico e multiprofissional.
“Cada plano terapêutico deve equilibrar benefícios, riscos e preferências individuais, com acompanhamento regular para garantir resultados duradouros e preservar a saúde global”, explica a especialista.
Alimentação e exercício físico podem não ser suficientes para emagrecer?
A obesidade é uma doença influenciada por diversos fatores, como genética, hormônios, metabolismo, uso de medicamentos, ambiente e saúde emocional. Por isso, apesar de fundamentais, a alimentação equilibrada e o exercício físico nem sempre são suficientes para promover perda de peso consistente.
Segundo Fernanda, o corpo costuma defender o próprio peso máximo e, quando começa a emagrecer, pode reduzir o gasto energético e aumentar a fome como forma de proteção biológica. Nessas situações, pode ser necessário incluir medicações ou outras estratégias no tratamento.
“Isso não significa falta de esforço nem escolher o caminho mais fácil, mas sim o reconhecimento de que há componentes fisiológicos que exigem suporte clínico contínuo”, complementa.
Já perdi peso, preciso continuar indo ao médico?
Mesmo depois de alcançar uma boa perda de peso, continuar o acompanhamento médico é fundamental para manter os hábitos a longo prazo, ajustar os cuidados conforme o corpo muda e prevenir o reganho de peso.
“O acompanhamento médico ajuda a monitorar a composição corporal e a orientar ajustes no tratamento em conjunto com o nutricionista e o profissional da educação física”, explica Fernanda.
Por que tentar emagrecer sem orientação pode ser arriscado?
Dietas muito restritivas, exercícios acima do limite e uso de medicamentos sem prescrição podem desorganizar o metabolismo, causar queda de massa muscular e provocar alterações importantes em pressão, humor e funcionamento hormonal.
“O cuidado médico evita esses riscos, assegurando que o emagrecimento ocorra de forma segura, progressiva e sustentável, com atenção à saúde integral”, finaliza Fernanda.
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Perguntas frequentes
O que realmente faz uma pessoa emagrecer?
O emagrecimento acontece quando o corpo gasta mais energia do que recebe ao longo do tempo, criando um déficit calórico.
Dietas muito restritivas funcionam?
Podem levar a perda rápida, mas costumam ser insustentáveis e provocam efeito rebote.
Por que algumas pessoas têm mais dificuldade para emagrecer?
Genética, hormônios, histórico de peso, medicamentos, sono e estresse influenciam diretamente o metabolismo.
O que é efeito sanfona?
É o ciclo de emagrecer e recuperar peso repetidamente, geralmente após dietas muito restritivas.
Por que perder gordura abdominal é mais difícil?
A gordura abdominal é influenciada por hormônios como o cortisol e fatores genéticos e hormonais.
O que fazer quando o emagrecimento trava?
É necessário reavaliar alimentação, exercícios, sono, estresse e fatores metabólicos com ajuda profissional.
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