MÃES, PAIS & BEBÊS
Importância de controlar o açúcar na infância e quais doenças previne
Entenda por que limitar o açúcar nos primeiros anos evita diabetes, hipertensão e problemas cardíacos

Dra. Juliana Soares
5min • 31 de dez. de 2025

Controlar o açúcar na infância ajuda a prevenir doenças metabólicas e cardiovasculares ao longo da vida | Foto: Freepik
Controlar o açúcar na infância vai muito além de evitar cáries ou excesso de peso. Estudos mostram que a exposição precoce a altas quantidades de açúcar aumenta o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares na vida adulta.
Isso acontece porque o consumo elevado de açúcar na infância e até mesmo durante a gestação pode influenciar a programação metabólica e cardiovascular, alterando respostas de glicose, pressão arterial e função cardíaca. Em contrapartida, limitar a ingestão contribui para menor risco de diabetes tipo 2, hipertensão e infarto ao longo da vida.
Controlar o açúcar na infância é um ato de prevenção
Crianças expostas a uma alimentação com pouco açúcar durante a gestação e nos dois primeiros anos apresentam um coração mais saudável e menos propenso a desenvolver doenças no futuro, incluindo menos risco de infarto e AVC, além de menor incidência de diabetes e hipertensão.
Resultados de estudos reforçam que controlar o açúcar na infância influencia diretamente a forma como o corpo regula glicose, lipídios e pressão arterial ao longo da vida. Além disso, a restrição precoce de açúcar é associada a melhorias em parâmetros cardíacos observadas em exames de ressonância em adultos.
Outro ponto importante é o efeito preventivo indireto: ao reduzir o risco de diabetes e pressão alta, o controle do açúcar na infância também diminui as chances de complicações renais, neurológicas e hepáticas na vida adulta.
Diretrizes e limites recomendados
As principais organizações de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendam que crianças menores de 2 anos não consumam açúcares adicionados. Isso inclui doces, bebidas adoçadas, bolachas industrializadas e até fórmulas infantis com sacarose. Após essa idade, o ideal é que os açúcares livres representem menos de 10% das calorias diárias, o que equivale a cerca de 25 a 30 gramas por dia.
Manter esse equilíbrio de açúcar na infância exige atenção aos rótulos e à alimentação oferecida às crianças. Muitos produtos considerados “infantis” contêm quantidades elevadas de açúcar escondido. Evitar esses excessos desde cedo ajuda a moldar o paladar e reduz a preferência por alimentos ultraprocessados ao longo da vida.
Para os pais e cuidadores, vale seguir três princípios simples:
- Evitar bebidas açucaradas: refrigerantes, sucos de caixinha e achocolatados
- Oferecer frutas frescas como opção natural de doce
- Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, sem adição de açúcar
Essas medidas ajudam a estabilizar os níveis de glicose e a criar uma relação saudável com a comida desde cedo.
O papel da gestação e dos primeiros dois anos de vida
A gestação é o ponto de partida para o controle do açúcar. A alimentação da mãe influencia o ambiente metabólico do feto, afetando o desenvolvimento do coração e dos vasos sanguíneos. Estudos mostram que gestantes com consumo elevado de açúcar têm maior probabilidade de gerar filhos com tendência à hipertensão e resistência à insulina no futuro.
O aleitamento materno também é decisivo, pois não expõe o bebê a açúcares adicionados, estando alinhado às diretrizes que recomendam evitar esse tipo de açúcar antes dos 2 anos. Quando o bebê passa para a alimentação complementar, é fundamental manter esse padrão e evitar papinhas industrializadas e sucos adoçados. Assim, a criança aprende a reconhecer o sabor natural dos alimentos e desenvolve uma resposta metabólica mais equilibrada.
Benefícios que duram para a vida toda
Controlar o açúcar na infância, incluindo desde a gestação até os primeiros anos de vida, tem efeitos que acompanham a pessoa por décadas. Esses benefícios aparecem de várias formas:
- Menor risco de diabetes tipo 2 e pressão alta, condições que aumentam o risco cardiovascular
- Redução significativa de doenças do coração, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e arritmias
- Atraso no aparecimento dessas doenças, em média de dois a três anos
Em resumo, limitar o açúcar no começo da vida ajuda a formar adultos mais protegidos contra doenças e com saúde cardiovascular mais forte.
Como adotar o controle do açúcar na rotina familiar
O primeiro passo é conscientização. Mães, pais e responsáveis devem compreender que “controlar o açúcar na infância” não significa eliminar o prazer das refeições, mas buscar equilíbrio. Introduzir alimentos naturais e ensinar o valor do sabor autêntico são atitudes que formam adultos mais saudáveis.
Pequenas trocas no dia a dia fazem diferença: preparar lanches caseiros em vez de comprar industrializados, substituir doces por frutas e não usar açúcar para acalmar a criança. Além disso, é essencial que os adultos também deem o exemplo, reduzindo o consumo em casa. A mudança de hábito familiar é o caminho mais eficaz para criar uma geração com menor risco de doenças crônicas.
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Perguntas e respostas
1. Por que controlar o açúcar na infância é tão importante?
Porque o consumo elevado de açúcar na gestação e nos primeiros anos de vida pode alterar o metabolismo e a saúde cardiovascular, aumentando o risco de diabetes, hipertensão, infarto e AVC na idade adulta.
2. Quais são as recomendações oficiais sobre açúcar para crianças pequenas?
A OMS recomenda zero açúcar adicionado para menores de 2 anos. Após essa idade, açúcares livres devem ser menos de 10% das calorias diárias.
3. Como o consumo materno de açúcar afeta o bebê?
O excesso de açúcar na gravidez altera o ambiente metabólico do feto, podendo aumentar o risco futuro de hipertensão e resistência à insulina.
4. Como as famílias podem reduzir o açúcar na rotina das crianças?
Priorizando alimentos naturais, evitando bebidas adoçadas, oferecendo frutas como doce e dando o exemplo ao reduzir o consumo em casa.
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