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‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo 

Restringir demais pode até reduzir o peso no curto prazo, mas o equilíbrio é o que sustenta a saúde e a forma física

Dra. Juliana Soares

Dra. Juliana Soares

5min • 28 de dez. de 2025

Mulher segura um prato quase vazio, com apenas uma folha pequena de salada

Dietas da moda podem gerar carências nutricionais e efeito sanfona, enquanto a alimentação equilibrada garante resultados duradouros e saúde em longo prazo | Foto: Freepik

De tempos em tempos, surge uma nova “fórmula milagrosa” prometendo emagrecimento rápido e resultados surpreendentes. São as chamadas dietas da moda, que ganham força nas redes sociais com celebridades e influenciadores exibindo supostos antes e depois. A lista é extensa e o apelo é o mesmo: perder peso com rapidez.

Mas o que os especialistas em nutrição alertam é que a maioria dessas estratégias não se sustenta no longo prazo. Além de provocarem deficiências nutricionais, podem gerar uma relação distorcida com a comida e, mais cedo ou mais tarde, levar ao temido efeito sanfona.

A verdadeira mudança acontece com constância, equilíbrio e variedade alimentar.

Por que as dietas da moda seduzem (e por que elas falham)

O grande atrativo das dietas da moda é a promessa de resultado rápido. Cortar grupos alimentares inteiros, como carboidratos ou laticínios, naturalmente leva a uma redução calórica inicial e, consequentemente, à perda de peso. O problema é que, junto com a gordura, o corpo também elimina massa muscular e água.

A curto prazo, isso pode parecer sucesso. A médio e longo prazo, porém, o metabolismo desacelera, e a recuperação do peso se torna quase inevitável. Planos alimentares muito restritivos geram sensação de privação e aumentam o risco de compulsão alimentar, além de favorecerem o cansaço, tontura e até desequilíbrios hormonais.

Dietas extremas também costumam eliminar alimentos ricos em nutrientes essenciais. Um exemplo é a dieta cetogênica, originalmente criada para tratamento de epilepsia refratária. Quando usada sem supervisão, pode causar carência de vitaminas, sobrecarga hepática e constipação. Já o modismo do “gluten free” em pessoas sem doença celíaca não traz benefício comprovado e pode até reduzir o consumo de fibras importantes para o intestino.

Quando o corpo sente a carência

Alimentações monotemáticas, aquelas baseadas sempre nos mesmos alimentos “permitidos”, podem levar ao que os especialistas chamam de fome oculta, quando o corpo recebe calorias, mas não os micronutrientes de que precisa, como ferro, zinco ou vitamina B12.

Essa carência silenciosa tem impacto direto na saúde: queda de cabelo, fraqueza, irritabilidade, imunidade baixa e distúrbios metabólicos podem surgir mesmo em pessoas com peso aparentemente normal. O problema é que, ao eliminar grupos alimentares inteiros, fica difícil atingir a variedade necessária para cobrir todas as demandas do organismo.

Seguir o cardápio de outra pessoa ou de uma celebridade é um erro comum. Cada corpo tem necessidades distintas, que dependem de idade, sexo, rotina, nível de atividade física e histórico de saúde. Uma dieta ideal é individualizada, e não copiada.

O apelo comercial das dietas da moda

O sucesso das dietas restritivas também se explica pela indústria bilionária do emagrecimento. Livros, suplementos, chás, shakes e planos online prometem “desintoxicar” o corpo e “acelerar o metabolismo”, embora o próprio organismo já tenha órgãos encarregados de fazer isso, como fígado e rins.

O problema é que, quando uma dieta “da moda” falha, o consumidor tende a culpar a si mesmo e não o método, o que o leva a procurar a próxima tendência. Cria-se, assim, um ciclo de frustração e gasto contínuo, sem resultado duradouro.

O que funciona: constância e equilíbrio

O caminho mais eficaz, segundo nutricionistas e estudos clínicos, é menos glamouroso, porém, muito mais seguro: a alimentação equilibrada. Isso significa priorizar alimentos naturais e variados, comer com regularidade e respeitar a fome e a saciedade.

Em vez de eliminar grupos alimentares, é preferível buscar proporções adequadas:

  • Carboidratos de qualidade, como arroz integral, aveia, batata, mandioca e frutas, que fornecem energia e fibras
  • Proteínas magras, como peixes, ovos, frango, leguminosas e cortes magros de carne, que mantêm a saciedade e preservam massa magra
  • Gorduras boas, presentes no azeite, nas castanhas e no abacate, que ajudam na absorção de vitaminas e na saúde cardiovascular

Essas bases simples, aliadas a sono de qualidade, manejo do estresse e atividade física regular, promovem mudanças reais e sustentáveis.

Pequenos ajustes, grandes resultados

Em vez de focar na privação, o ideal é concentrar-se em adições inteligentes. Aumentar o consumo de vegetais, incluir frutas diariamente, reduzir ultraprocessados e cuidar das porções já gera diferença perceptível em poucas semanas.

Outro ponto importante é a consistência: comer de forma regular ao longo do dia evita picos de fome e episódios de compulsão à noite. Segundo especialistas, essa constância é mais eficiente para controle de peso e metabolismo do que dietas da moda mal-orientadas.

O papel da mente na relação com a comida

A busca por dietas milagrosas também tem uma dimensão emocional. Em muitos casos, a promessa de emagrecimento rápido serve para aliviar a ansiedade e a pressão estética. O problema é que o ciclo de restrição e culpa tende a aumentar o estresse e a piorar a relação com a comida.

Programas de reeducação alimentar e abordagens como a alimentação intuitiva têm mostrado bons resultados em restabelecer o equilíbrio. Elas ensinam o indivíduo a reconhecer os sinais do próprio corpo, comer com atenção plena e respeitar o prazer de comer, sem exageros, mas também sem culpa.

Lembre-se: dietas da moda podem até entregar resultados rápidos, mas raramente sustentáveis. Em longo prazo, quem busca saúde e estabilidade de peso encontra mais sucesso nas pequenas mudanças cotidianas do que nas restrições temporárias.

Veja mais: 6 alimentos que são saudáveis, mas quando em excesso, podem acrescentar muitas calorias à dieta

Perguntas e respostas

1. O que caracteriza uma dieta da moda?

São planos alimentares que prometem resultados rápidos, geralmente com base em cortes radicais, como excluir carboidratos, glúten ou laticínios. Embora provoquem perda de peso inicial, costumam ser insustentáveis e podem levar à carência de nutrientes, perda de massa muscular e efeito sanfona.

2. Por que essas dietas funcionam apenas a curto prazo?

Elas reduzem o consumo calórico de forma abrupta, o que causa emagrecimento rápido nas primeiras semanas. Porém, ao restringirem demais, desaceleram o metabolismo e aumentam a chance de compulsão alimentar. Quando a pessoa retoma a alimentação habitual, o corpo tende a recuperar o peso perdido, às vezes até mais.

3. Quais são os riscos de seguir uma dieta restritiva sem orientação?

Dietas muito limitadas podem gerar “fome oculta”, quando o corpo recebe calorias, mas não nutrientes suficientes. Isso provoca sintomas como fraqueza, queda de cabelo e imunidade baixa. Além disso, seguir cardápios prontos ou copiados de influenciadores ignora as necessidades individuais de idade, rotina e saúde.

4. O que é mais eficaz e seguro para emagrecer de forma duradoura?

A alimentação equilibrada, que inclui todos os grupos alimentares em proporções adequadas. Priorizar alimentos naturais, manter horários regulares de refeição, controlar porções e praticar atividade física é o caminho mais consistente para resultados sustentáveis. Pequenas mudanças contínuas valem mais do que restrições extremas.

5. Como manter uma boa relação com a comida e evitar o ciclo de culpa e restrição?

A chave está em adotar a reeducação alimentar e a atenção plena às refeições. Comer com calma, reconhecer os sinais de fome e saciedade e respeitar o prazer de comer ajudam a evitar exageros e compulsões. O equilíbrio é o que garante bem-estar físico e mental, sem abrir mão da convivência e do sabor.

Confira: Canetas emagrecedoras: como evitar deficiências nutricionais?

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Escrito por Dra. Juliana Soares

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