PREVENÇÃO & LONGEVIDADE
Score de risco cardiovascular ajuda a prevenir infarto e AVC? Saiba como é feito o cálculo
Tabagismo, sedentarismo, má alimentação, pressão alta e colesterol elevado são fatores que aumentam o risco cardiovascular.

Dra. Juliana Soares
5min • 6 de jan. de 2026

A ferramenta é usada para estimar a probabilidade de uma pessoa desenvolver doenças cardiovasculares em determinado período.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e, na maioria das vezes, se desenvolvem de forma silenciosa, ao longo dos anos, sem provocar sintomas no início. Isso torna importante identificar cedo quem tem maior risco de sofrer eventos graves, como infarto ou AVC — e hoje, isso pode ser feito por meio do score de risco cardiovascular.
A ferramenta é usada para estimar a probabilidade de uma pessoa desenvolver doenças cardiovasculares em determinado período, normalmente nos próximos 10 anos, de acordo com a cardiologista Juliana Soares.
De forma geral, ela funciona como um “mapa de risco” que ajuda profissionais de saúde a decidir quando intensificar a prevenção, exames ou tratamento. Vamos entender mais, a seguir.
Para que serve o score de risco cardiovascular?
O score de risco cardiovascular serve para estimar a probabilidade de uma pessoa desenvolver um evento cardiovascular, como infarto do miocárdio ou AVC, em um determinado período. Na prática, ele ajuda o médico a classificar o paciente em baixo, moderado ou alto risco, permitindo definir com mais precisão quais cuidados devem ser adotados.
Por exemplo, pessoas com risco mais baixo costumam receber orientações focadas em hábitos de vida saudáveis, enquanto aquelas com risco elevado podem precisar de acompanhamento mais frequente, uso de remédios e controle mais rigoroso de fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia.
Além disso, o score de risco cardiovascular permite personalizar o tratamento, evitar intervenções desnecessárias e agir de forma mais precoce em quem realmente tem maior chance de apresentar complicações, contribuindo para a redução das doenças cardiovasculares ao longo do tempo.
Como o cálculo do score de risco cardiovascular é feito?
O cálculo do score de risco cardiovascular é feito a partir da combinação de informações clínicas e dados de exames simples, que apontam os principais fatores ligados ao desenvolvimento de doenças do coração e da circulação.
De forma geral, entram no cálculo os seguintes fatores:
- Idade;
- Sexo;
- Pressão arterial;
- Colesterol total e frações, como LDL e HDL;
- Presença de diabetes;
- Tabagismo;
- Histórico prévio de doença cardiovascular, em alguns modelos;
- Uso de algumas medicações, dependendo do score utilizado.
O exame de sangue e o checkup ajudam a compor o score de risco cardiovascular e são fundamentais para esse cálculo, segundo Juliana. Isso porque vários dos dados utilizados nos scores vêm diretamente dos exames laboratoriais e das medições feitas durante a avaliação clínica.
Nos exames de sangue, por exemplo, são analisados o colesterol total, o LDL, conhecido como colesterol ruim, e o HDL, o colesterol bom. Já no check-up, entram medidas como a pressão arterial. Todas as informações são variáveis importantes que alimentam as calculadoras de risco e permitem uma estimativa mais precisa do risco cardiovascular.
Juliana explica que as informações são inseridas em calculadoras específicas, como o score de Framingham, o ASCVD ou o SCORE europeu, que utilizam fórmulas matemáticas para gerar um percentual de risco. A partir do resultado, o paciente é classificado em faixas de baixo, intermediário ou alto risco, o que ajuda o médico a definir a melhor estratégia de prevenção.
Como interpretar o resultado?
A interpretação do score de risco cardiovascular é feita com base no percentual apresentado pela calculadora, que mostra a chance de a pessoa ter um problema cardiovascular, como infarto ou AVC, nos próximos anos.
Os resultados são classificados em faixas de risco:
- Baixo risco: indica menor probabilidade de eventos cardiovasculares. Nesses casos, a orientação costuma ser manter hábitos de vida saudáveis e acompanhamento de rotina;
- Risco intermediário: aponta uma chance moderada, e pode exigir acompanhamento mais próximo, ajustes no estilo de vida e, em algumas situações, uso de medicações;
- Alto risco: mostra uma probabilidade elevada de infarto ou AVC. Nessa faixa, o tratamento tende a ser mais intensivo, com controle rigoroso da pressão arterial, do colesterol, da glicemia e, muitas vezes, uso de remédios específicos.
Vale lembrar que o score não é um diagnóstico, mas apenas uma estimativa de risco. Por isso, o resultado precisa sempre ser avaliado pelo médico, considerando a história de saúde da pessoa e outros fatores que não entram diretamente no cálculo.
Quando o cálculo pode ser solicitado?
De acordo com Juliana, o cálculo do score de risco cardiovascular é indicado para todos os adultos, especialmente a partir dos 40 anos, mesmo quando não há sintomas. A avaliação ajuda a identificar riscos que ainda não se manifestaram clinicamente.
Em pessoas mais jovens, o score pode ser solicitado principalmente quando há sintomas ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce, como pais ou irmãos que tiveram infarto em idade muito jovem.
Também existem scores específicos para indivíduos com diagnóstico de hipercolesterolemia familiar, um distúrbio genético do colesterol associado a um risco elevado de infarto e AVC. Nessas situações, a avaliação do risco é feita mais cedo para permitir cuidados antecipados e reduzir complicações ao longo do tempo.
É possível reduzir o risco?
É possível reduzir o risco cardiovascular a partir da adoção de hábitos mais saudáveis, como:
Entre as medidas importantes para essa redução estão;
- Prática regular de atividade física, adaptada à idade e às condições de saúde;
- Manter uma alimentação equilibrada, com redução de sal, açúcar e gorduras saturadas;
- Interrupção do tabagismo e evitação da exposição ao fumo passivo;
- Controle adequado da pressão arterial, com acompanhamento médico regular;
- Controle dos níveis de colesterol total e frações, especialmente o LDL;
- Controle da glicemia, principalmente em pessoas com diabetes ou pré-diabetes;
- Manutenção do peso corporal adequado;
- Redução do sedentarismo no dia a dia;
- Uso correto e contínuo das medicações prescritas;
- Acompanhamento médico periódico para reavaliação do risco cardiovascular.
Assim, Juliana explica que o paciente pode, eventualmente, sair de uma faixa de alto risco para um risco moderado. As medidas atuam diretamente sobre os fatores que compõem o score de risco cardiovascular e contribuem para a redução da chance de infarto, AVC e outras doenças do coração ao longo do tempo.
Confira: Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular
Perguntas frequentes
1. O que são doenças cardiovasculares?
As doenças cardiovasculares são aquelas que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca, arritmias, hipertensão e doença arterial periférica. Muitas delas se desenvolvem lentamente e podem permanecer sem sintomas por anos.
2. O que significa ter baixo risco cardiovascular?
Ter baixo risco cardiovascular significa que a chance de desenvolver infarto ou AVC nos próximos anos é menor. Mesmo assim, isso não exclui a necessidade de manter hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular, já que o risco pode mudar ao longo do tempo.
3. Pessoas jovens podem ter score de risco cardiovascular alto?
Podem, especialmente se tiverem fatores de risco importantes, como diabetes, colesterol muito elevado, tabagismo ou histórico familiar forte de doença cardiovascular precoce. Por isso, idade não é o único critério de atenção.
4. Com que frequência o score deve ser reavaliado?
A reavaliação costuma ser feita periodicamente, conforme orientação médica. Em geral, o score é recalculado após mudanças importantes no estado de saúde, início de tratamentos ou alterações significativas nos hábitos de vida.
5. O score de risco cardiovascular é igual para homens e mulheres?
Não exatamente. Alguns scores utilizam cálculos diferentes para homens e mulheres, pois o risco cardiovascular e a forma de apresentação das doenças podem variar conforme o sexo.
6. Diabetes aumenta o risco cardiovascular?
O diabetes é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares. Pessoas com diabetes têm maior chance de desenvolver infarto, AVC e outras complicações, mesmo quando não apresentam sintomas no início.
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