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Paciente oncológico em casa: como adaptar o ambiente durante o tratamento?

O objetivo é criar um espaço acolhedor, funcional e seguro, capaz de reduzir riscos desnecessários durante o tratamento.

Dr. Thiago Chadid

Dr. Thiago Chadid

5min • 8 de jan. de 2026

Paciente oncológico em casa recebendo cuidados de saúde, com apoio de profissional durante tratamento contra o câncer, em ambiente acolhedor e seguro.

O tratamento oncológico envolve todas as terapias utilizadas para controlar, reduzir ou eliminar o câncer.

Durante o tratamento oncológico, seja com quimioterapia ou radioterapia, a rotina do paciente e de toda a família passa por algumas mudanças. A casa, que antes seguia um funcionamento habitual, precisa se adaptar para oferecer mais conforto, segurança e apoio físico e emocional a quem está em tratamento.

Mas afinal, quais ajustes são realmente necessários nesse período para receber um paciente oncológico em casa? Conversamos com o oncologista Thiago Chadid e listamos, a seguir, as adaptações que ajudam a prevenir complicações, reduzir efeitos colaterais do tratamento e tornar o dia a dia mais leve. Confira!

1. Alimentação leve e adequada

A alimentação deve ser um dos principais fatores de cuidado em casa. Segundo Thiago, pacientes em quimioterapia costumam apresentar náuseas e vômitos, principalmente após refeições pesadas ou de difícil digestão.

Por isso, a orientação é priorizar alimentos leves, de fácil digestão, como frutas, verduras, legumes, carnes magras e preparações simples, evitando excesso de gordura e condimentos.

Além disso, podem ocorrer algumas alterações intestinais durante o tratamento, desde prisão de ventre até quadros de diarreia.

Na constipação, o recomendado é aumentar a ingestão de fibras e líquidos. Em casos de diarreia, a alimentação deve ser ajustada com alimentos mais constipantes e cuidados adicionais com hidratação.

Ingestão adequada de proteínas

A perda de massa muscular é frequente durante o tratamento oncológico e pode evoluir para sarcopenia. Por isso, é recomendado uma ingestão de aproximadamente 1 a 1,5 g de proteína por quilo de peso corporal por dia.

Quando a alimentação sólida não é bem tolerada, podem ser utilizados suplementos proteicos, como whey protein, ou outras fontes que o paciente aceite melhor.

2. Hidratação no dia a dia

Independentemente do tipo de tratamento, a hidratação deve ser constante no dia a dia. Segundo Thiago, é recomendado a ingestão de cerca de 2 a 3 litros de água por dia, pois muitos quimioterápicos são eliminados pela urina.

Alterações no cheiro e na coloração da urina são comuns e não costumam indicar problemas, desde que o paciente esteja bem hidratado.

3. Uso compartilhado do banheiro

Não é necessário isolar o banheiro do paciente, de modo que a principal recomendação é manter medidas básicas de higiene, como dar descarga com a tampa do vaso fechada e manter o ambiente limpo. Seguindo as orientações, o risco de exposição para outros moradores é mínimo.

4. Período de queda da imunidade

A maior queda da imunidade costuma ocorrer entre o sétimo e o décimo dia após a quimioterapia, podendo se estender até o décimo quarto dia. Nesse período, Thiago orienta evitar visitas, aglomerações e possíveis fontes de infecção.

O uso de máscara pode ser indicado, assim como cuidados rigorosos com a alimentação, evitando alimentos crus e refeições fora de casa.

Vale apontar que, durante a fase de baixa imunidade, é comum o paciente apresentar fraqueza intensa, dores no corpo, dor óssea e cansaço, semelhantes a um quadro de gripe. O ideal é priorizar o repouso, evitar atividades físicas intensas e respeitar os limites do corpo.

5. Proteção solar

Alguns quimioterápicos interagem com a radiação solar, aumentando o risco de manchas na pele, tonturas e até desmaios. Por isso, o ideal é evitar a exposição solar direta. Quando for necessário, é recomendado uso de protetor solar no rosto e corpo, chapéu, roupas com proteção UV e permanência em locais com sombra.

6. Cuidados com as veias

Quando a quimioterapia é realizada por acesso venoso periférico, pode ocorrer inflamação e endurecimento das veias, segundo Thiago.

Para preparar o braço, é recomendado o uso de compressas mornas, como chá de camomila, nos dias que antecedem a infusão. A hidratação adequada também contribui para facilitar o acesso venoso.

7. Atividades físicas

A atividade física pode e deve fazer parte da rotina, desde que seja leve e respeite os limites do corpo. Por exemplo, caminhadas curtas, alongamentos e pilates costumam ser bem tolerados e ajudam no bem-estar físico e emocional.

Piscina, hidroginástica e até praia também podem ser opções, desde que o paciente não tenha feridas abertas, esteja em fase recente de cirurgia, com colostomia, lesões na pele ou realizando radioterapia com a pele muito sensível.

8. Cuidados com cabelos e procedimentos estéticos

Durante o tratamento, Thiago aponta que deve-se evitar produtos agressivos e procedimentos invasivos, como tinturas, alisamentos, peelings e outros tratamentos químicos. A pele e o couro cabeludo ficam mais sensíveis, e essas associações podem aumentar a queda de cabelo ou causar lesões.

9. Contato com animais domésticos

O contato com animais de estimação é permitido, desde que sejam mantidos cuidados básicos de higiene e que o contato mais próximo seja evitado durante o período de baixa imunidade. Não é necessário o afastamento definitivo dos pets.

10. Consumo de álcool durante a quimioterapia

A recomendação geral é evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento oncológico. O álcool pode interferir no metabolismo dos quimioterápicos, aumentar a toxicidade, intensificar náuseas, causar desidratação e sobrecarregar fígado e rins. Em eventos sociais, uma alternativa é apostar em bebidas sem álcool.

Acompanhamento médico durante o tratamento

Cada paciente reage de forma diferente à quimioterapia ou à radioterapia, e sintomas, efeitos colaterais ou dúvidas podem surgir a qualquer momento.

Por isso, é importante lembrar que nenhuma orientação geral substitui o acompanhamento direto e individualizado com o médico que conhece a história e as necessidades do paciente.

Sempre que houver qualquer mudança no estado geral, aparecimento de novos sintomas, dificuldade para se alimentar, sinais de infecção, dor persistente ou mesmo insegurança em relação aos cuidados em casa, o ideal é procurar orientação profissional. Isso ajuda a evitar complicações e trazer mais segurança para a família e o paciente.

Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

Perguntas frequentes

O que é o tratamento oncológico e quais são os tipos mais comuns?

O tratamento oncológico envolve todas as terapias utilizadas para controlar, reduzir ou eliminar o câncer. Os tipos mais comuns incluem quimioterapia, radioterapia, cirurgia, imunoterapia, terapia-alvo e hormonioterapia.

Em muitos casos, mais de um tipo é combinado, de acordo com o tipo de câncer, estágio da doença e condições clínicas do paciente.

Por que o tratamento oncológico diminui a imunidade?

A quimioterapia e alguns outros tratamentos atuam sobre células que se multiplicam rapidamente. Isso inclui as células do câncer, mas também células saudáveis da medula óssea, responsáveis pela produção dos glóbulos brancos, que defendem o organismo contra infecções.

Com a redução dessas células, o sistema imunológico fica temporariamente enfraquecido, aumentando o risco de infecções, especialmente em determinados períodos do ciclo do tratamento.

É normal sentir muito cansaço durante o tratamento oncológico?

Sim, a fadiga relacionada ao câncer é um dos sintomas mais comuns e pode ser diferente do cansaço habitual. Ela não melhora apenas com descanso e pode estar relacionada à própria doença, aos tratamentos, à anemia, às alterações do sono e ao impacto emocional.

A radioterapia também causa efeitos colaterais?

Sim, mas normalmente localizados na área tratada, em que pode surgir vermelhidão na pele, cansaço, ressecamento e sensibilidade. Os efeitos costumam ser progressivos ao longo das sessões e tendem a melhorar após o término do tratamento. A equipe médica pode orientar cuidados específicos com a pele.

É seguro usar medicamentos naturais ou suplementos durante o tratamento?

Nem sempre, pois alguns produtos naturais podem interagir com a quimioterapia ou radioterapia, reduzindo a eficácia ou aumentando efeitos colaterais. Por isso, qualquer suplemento, chá ou medicamento alternativo deve ser discutido com o médico antes de ser utilizado.

O paciente pode viajar durante o tratamento oncológico?

Em alguns casos, sim. Viagens curtas podem ser permitidas, desde que o paciente esteja se sentindo bem, fora do período de baixa imunidade e com autorização médica. É importante planejar com cuidado, considerar acesso a serviços de saúde e evitar locais com grande aglomeração ou condições sanitárias inadequadas.

Por que a quimioterapia pode causar queda de cabelo?

Os folículos capilares têm células que se dividem rapidamente, assim como as células tumorais. A quimioterapia não diferencia essas células e acaba afetando o crescimento do cabelo.

A queda é, na maioria das vezes, temporária, e os fios tendem a voltar após o término do tratamento, podendo inclusive nascer com textura ou cor diferentes.

Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

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