PREVENÇÃO & LONGEVIDADE
A importância de medir a pressão mesmo se você se sentir bem
A pressão alta é silenciosa e pode causar danos graves sem dar sinais. Entenda por que medir a pressão com frequência é essencial para a prevenção cardiovascular.

Dra. Juliana Soares
5min • 29 de dez. de 2025

Medir a pressão arterial regularmente é a principal forma de detectar precocemente a hipertensão e evitar complicações cardíacas e cerebrais | Foto: Freepik
Medir a pressão é uma das atitudes mais simples e eficazes para proteger o coração e prolongar a vida. Mesmo quem se sente saudável pode ter hipertensão sem saber, já que a doença costuma se desenvolver em silêncio. A ausência de sintomas é o que a torna perigosa: enquanto tudo parece normal, o coração, o cérebro e os rins estão sendo sobrecarregados de forma contínua.
A pressão alta é responsável por milhões de mortes todos os anos e afeta uma parcela significativa da população adulta. Identificar a alteração precocemente, por meio de medições regulares, permite agir antes que surjam complicações graves, como infarto, AVC ou insuficiência cardíaca.
Pressão alta: o perigo que evolui sem aviso
A hipertensão arterial ocorre quando o sangue circula com força excessiva nas artérias. Esse aumento exige mais trabalho do coração e danifica os vasos ao longo do tempo. O problema é que, na maioria dos casos, essa elevação acontece de forma silenciosa. Os sintomas só costumam aparecer em fases avançadas, como dor de cabeça intensa, tontura, cansaço e visão turva.
As novas diretrizes brasileiras, publicadas em 2025, atualizaram o parâmetro considerado ideal: a pressão 12 por 8, antes vista como normal, agora é classificada como pré-hipertensão. Isso não significa que o tratamento medicamentoso deva começar, mas indica que o corpo pode já estar em alerta, e é hora de redobrar os cuidados.
Nessa faixa, o foco é a prevenção: controlar o sal, manter o peso saudável, dormir bem, cuidar do estresse e incluir atividade física regular. Já a pressão a partir de 14 por 9 é considerada hipertensão e requer acompanhamento clínico e, em muitos casos, uso de medicamentos.
Medir a pressão com regularidade é o único modo de confirmar se os níveis estão dentro do ideal. Para adultos saudáveis, recomenda-se uma medição anual. Já pessoas com histórico familiar, sobrepeso ou diabetes devem realizar o controle mensalmente.
Como medir a pressão corretamente
Saber medir a pressão de forma adequada é fundamental para garantir resultados confiáveis. Leituras feitas de forma apressada, com má postura ou em momentos inadequados, podem gerar valores incorretos e mascarar problemas reais.
A seguir, o passo a passo recomendado pelos cardiologistas:
- Escolha o momento certo: meça a pressão em um horário tranquilo, evitando logo após esforço físico, refeições pesadas, consumo de café, álcool ou cigarro. O ideal é estar em repouso por pelo menos 5 minutos.
- Sente-se corretamente: mantenha as costas apoiadas, os pés no chão e o braço apoiado na altura do coração. O manguito deve estar bem ajustado.
- Fique em silêncio: evite conversar ou se mover durante a medição.
- Faça mais de uma medição: repita o processo duas vezes, com intervalo de um minuto, e anote a média.
- Registre os valores: anote horários e condições e leve essas informações às consultas.
Com aparelhos digitais de braço validados, é possível medir a pressão em casa. Os valores ideais ficam abaixo de 120/80 mmHg. Leituras entre 130/85 e 139/89 mmHg merecem atenção, e valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg já indicam hipertensão.
O que acontece quando a pressão não é controlada
Ignorar aumentos persistentes da pressão pode trazer consequências sérias. A hipertensão danifica as artérias, favorece o acúmulo de gordura e leva à aterosclerose, reduzindo o fluxo de sangue para órgãos vitais.
As complicações mais comuns são infarto, AVC e insuficiência renal. No cérebro, a pressão alta aumenta o risco de hemorragias; no coração, força o órgão a trabalhar além do limite.
Estudos mostram que reduzir a pressão para níveis adequados diminui em até 40% o risco de eventos cardiovasculares e também reduz a chance de demência e declínio cognitivo.
Fatores que influenciam a pressão arterial
Diversos fatores interferem nos níveis de pressão arterial. Alguns não podem ser modificados, como a genética, mas muitos dependem do estilo de vida:
- Excesso de sal: aumenta o volume de sangue circulante.
- Sedentarismo: enfraquece o sistema cardiovascular.
- Estresse crônico: libera hormônios que contraem os vasos.
Tabagismo, álcool em excesso e ultraprocessados também elevam a pressão. Em contrapartida, alimentação equilibrada, sono adequado e atividade física ajudam a manter os níveis sob controle.
Prevenir é mais fácil do que tratar
O controle da pressão é contínuo. Quem mede regularmente consegue identificar variações precocemente. Após os 40 anos, o acompanhamento médico se torna ainda mais importante.
Mesmo quem já faz tratamento deve monitorar a pressão para avaliar a eficácia dos medicamentos e do estilo de vida. Pequenas mudanças, como reduzir o sal e caminhar diariamente, geram grande impacto.
Com o tempo, esse cuidado se traduz em mais energia, menor risco cardiovascular e melhor qualidade de vida.
Confira: Como aferir a pressão arterial em casa? Cardiologista explica
Perguntas e respostas
1. Por que medir a pressão é importante mesmo sem sintomas?
Porque a hipertensão pode causar danos silenciosos. A medição regular permite identificar alterações precocemente.
2. Com que frequência devo medir a pressão?
Ao menos uma vez por ano. Pessoas com fatores de risco devem medir com maior frequência.
3. Quais valores indicam pressão alta?
Valores acima de 12/8 já exigem atenção. A partir de 14/9, a pressão é considerada alta.
4. É seguro medir a pressão em casa?
Sim, desde que o aparelho seja validado. Registrar os valores ajuda no acompanhamento médico.
5. Mudanças no estilo de vida realmente ajudam?
Sim. Reduzir sal, praticar exercícios e controlar o peso são medidas comprovadas.
6. O que fazer se a pressão estiver alta em uma medição?
Repita após alguns minutos de repouso. Se persistir elevada, procure avaliação médica.
Veja mais: MAPA: o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro

