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PREVENÇÃO & LONGEVIDADE

Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular 

A circunferência da cintura é um dos indicadores mais confiáveis do risco de doenças cardiovasculares e metabólicas

Dra. Juliana Soares

Dra. Juliana Soares

5min • 20 de dez. de 2025

Mulher segura uma fita métrica ao redor da cintura, medindo a circunferência abdominal.

A circunferência da cintura é um dos indicadores mais confiáveis do risco de doenças cardiovasculares e metabólicas | Foto: Freepik

Você já ouviu falar da “medida do abraço”? Esse é um termo usado para aferir a circunferência da cintura, sendo um dos indicadores mais simples e eficazes para verificar a saúde metabólica. O nome mais acessível ajuda a popularizar a técnica de medição da circunferência abdominal, incentivando o uso de uma fita métrica no dia a dia.

Essa prática ajuda a ter uma ideia aproximada do acúmulo de gordura na região abdominal, especialmente a gordura visceral, que envolve órgãos internos e está diretamente associada a doenças cardiovasculares e metabólicas.

Por que a circunferência abdominal diz tanto sobre o coração

A gordura visceral é considerada metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que podem lesar as paredes dos vasos sanguíneos e reduzir a eficácia da insulina. Com o tempo, esse processo favorece o endurecimento das artérias, sobrecarrega o pâncreas e altera o metabolismo.

Além disso, essa gordura interfere no funcionamento do fígado e no controle da pressão arterial, aumentando o risco de doenças cardiovasculares mesmo em pessoas que não estão acima do peso.

Outro ponto importante é a diferença entre a gordura abdominal e aquela localizada em quadris ou coxas. O tecido adiposo da barriga é mais nocivo porque se infiltra entre os órgãos e interfere na regulação hormonal. Por isso, acompanhar a circunferência da cintura ao longo do tempo com a medida do abraço é uma forma prática de monitorar a saúde do coração e os riscos da obesidade.

Quando a circunferência abdominal acende o alerta

Na prática médica, os valores de 102 cm para homens e 88 cm para mulheres são considerados o limite superior seguro. A partir desses números, o risco cardiovascular e metabólico cresce de forma significativa.

Existe ainda uma forma mais simples de interpretar: manter a cintura menor que metade da altura. Por exemplo, uma pessoa de 1,70 m deve ter circunferência abdominal abaixo de 85 cm. Essa relação cintura/altura é intuitiva e ajuda a visualizar o impacto de pequenos ganhos ou perdas ao longo do tempo.

Como usar a medida do abraço corretamente em casa

A precisão da medida depende da técnica. Siga o passo a passo:

  • Fique em pé, com o abdômen relaxado e os pés alinhados à largura dos ombros;
  • Localize o topo do osso do quadril (crista ilíaca) e posicione a fita métrica nessa altura, ao redor da cintura, paralela ao chão — normalmente acima do umbigo;
  • Faça a medição ao final de uma expiração normal, sem apertar a fita contra a pele e preferencialmente de barriga vazia.

Repita a medida duas vezes e utilize a média dos valores. Esses cuidados garantem maior confiabilidade e evitam variações artificiais.

O que está por trás da cintura aumentada

Quando a circunferência abdominal cresce, geralmente há aumento de gordura visceral. Esse tipo de gordura se infiltra em órgãos como fígado e pâncreas, prejudicando o metabolismo da glicose e aumentando a produção de colesterol.

Como consequência, a pressão arterial tende a subir, os níveis de lipídios se alteram e a inflamação se torna persistente. Mesmo pessoas com IMC dentro da faixa considerada normal podem apresentar essa gordura “oculta”. Por isso, a avaliação clínica deve incluir pressão arterial, glicemia e perfil lipídico.

O que fazer se sua medida está acima do ideal

Mudanças sustentáveis no estilo de vida são mais eficazes do que intervenções radicais para reduzir a circunferência abdominal. Priorize alimentos naturais, ricos em fibras e proteínas magras, como frutas, verduras, grãos integrais, peixes e leguminosas. Reduza o consumo de ultraprocessados, bebidas açucaradas e álcool.

Na atividade física, busque ao menos 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos moderados e inclua duas sessões de treino de força. A musculação e modalidades como funcional ou calistenia ajudam a preservar massa magra, melhorar a sensibilidade à insulina e acelerar o metabolismo.

O sono e o controle do estresse também merecem atenção, pois influenciam diretamente o acúmulo de gordura abdominal. Reavaliações periódicas e acompanhamento médico ajudam a consolidar os resultados.

Lembre-se: a medida do abraço é um indicador simples e poderoso da saúde do coração. Uma fita métrica pode revelar riscos antes mesmo que exames laboratoriais apontem alterações.

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Perguntas e respostas

Por que a gordura visceral é tão perigosa?

Porque ela libera substâncias inflamatórias que alteram o metabolismo, elevam a pressão arterial, aumentam o colesterol e prejudicam a ação da insulina, favorecendo o surgimento de doenças crônicas.

Qual é o valor ideal da circunferência da cintura?

Para mulheres, abaixo de 88 cm; para homens, abaixo de 102 cm. Outra regra prática é manter a cintura menor que metade da altura corporal.

É possível ter medida do abraço elevada mesmo sem estar acima do peso?

Sim. Pessoas com IMC normal podem acumular gordura visceral sem perceber. Por isso, medir a cintura complementa a avaliação clínica tradicional e ajuda a identificar riscos precoces.

Como reduzir a circunferência abdominal de forma eficaz?

Com mudanças consistentes na rotina: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono de qualidade e redução do estresse. O foco deve ser o estilo de vida, não medidas extremas ou restritivas.

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Foto de Dra. Juliana Soares

Escrito por Dra. Juliana Soares

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