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DOENÇAS & CONDIÇÕES

Câncer de pulmão: sintomas, tipos e como é feito o tratamento

A exposição prolongada à fumaça do cigarro, seja ativa ou passiva, é o principal fator de risco para o câncer de pulmão.

Dr. Thiago Chadid

Dr. Thiago Chadid

5min • 7 de jan. de 2026

Homem fumando cigarro em close-up, destacando a fumaça e o hábito do tabagismo, principal fator de risco para câncer de pulmão.

Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos, como tosse persistente e cansaço.

O câncer de pulmão ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais comuns em homens e a quarta em mulheres no Brasil, sem contar o câncer de pele não melanoma, segundo dados do Ministério da Saúde. Além da alta incidência, a doença está entre as principais causas de morte por câncer no país.

Normalmente, o câncer de pulmão apresenta poucos sintomas no início, o que faz com que o diagnóstico muitas vezes ocorra de forma tardia. Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos, como tosse persistente, cansaço, falta de ar ou infecções respiratórias de repetição, facilmente confundidos com problemas comuns do dia a dia.

Para entender como a doença se manifesta, os tipos e os principais tratamentos, conversamos com o oncologista Thiago Chadid. Confira!

O que é câncer de pulmão?

O câncer de pulmão é uma doença caracterizada pelo crescimento descontrolado de células anormais nos tecidos do pulmão. Elas se multiplicam de forma desordenada, formando tumores que podem comprometer a função pulmonar e, em alguns casos, se espalhar para outros órgãos do corpo.

A doença pode se desenvolver nos brônquios, nos alvéolos ou em outras estruturas pulmonares e está bastante associada ao tabagismo, embora também possa ocorrer em pessoas que nunca fumaram, devido a fatores como poluição, exposição a substâncias tóxicas e predisposição genética.

Tipos de câncer de pulmão

O câncer de pulmão é classificado em dois tipos principais, de acordo com as características das células observadas ao microscópio. São eles:

1. Carcinoma de células não pequenas

O câncer de pulmão do tipo não pequenas células é o mais frequente, correspondendo a cerca de 85% dos casos. Ele é dividido em três subtipos principais:

  • Adenocarcinoma: costuma se desenvolver nas regiões mais periféricas do pulmão, a partir de células que produzem secreções. É o subtipo mais comum entre pessoas que nunca fumaram;
  • Carcinoma de células escamosas: surge nas células que revestem as vias aéreas dos pulmões e está fortemente associado ao tabagismo;
  • Carcinoma de grandes células: apresenta células pouco diferenciadas e pode aparecer em qualquer área do pulmão, normalmente com crescimento mais rápido e maior potencial de disseminação.

2. Carcinoma de células pequenas

O carcinoma de células pequenas é um tipo menos comum de câncer de pulmão, porém mais agressivo. Ele está fortemente associado ao tabagismo e costuma crescer de forma rápida, com maior tendência a se espalhar precocemente para outros órgãos.

Fatores de risco para o câncer de pulmão

De acordo com Thiago, o tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão, estando relacionado à maioria dos casos diagnosticados. O risco aumenta de forma proporcional ao tempo de exposição e à quantidade de cigarros consumidos ao longo da vida, incluindo também o tabagismo passivo, quando há convivência frequente com fumantes.

O oncologista ainda aponta que o risco é avaliado pelo cálculo conhecido como maços-ano, que considera a quantidade de cigarros fumados por dia ao longo dos anos. A partir de 20 maços-ano, o risco já é considerado elevado, e acima de 30 maços-ano o paciente passa a ser classificado como de alto risco.

Além do cigarro, outros fatores também contribuem para o surgimento da doença, como:

  • Exposição prolongada à poluição do ar: a inalação contínua de poluentes, especialmente em grandes centros urbanos, pode causar inflamação crônica das vias respiratórias e danos às células pulmonares. Com o tempo, a agressão constante aumenta o risco de alterações celulares que podem evoluir para câncer;
  • Contato ocupacional com substâncias tóxicas: profissionais expostos a agentes como amianto, fumaça, poeiras químicas, carvão e outros produtos industriais apresentam maior risco de desenvolver câncer de pulmão. A exposição frequente e prolongada, muitas vezes sem proteção adequada, potencializa os danos ao tecido pulmonar;
  • Exposição ao gás radônio: o gás radônio é um gás radioativo, incolor e inodoro, que se origina do solo e pode se acumular em ambientes fechados. Em regiões específicas, a exposição contínua ao gás está associada a um aumento do risco de câncer de pulmão, inclusive em pessoas que nunca fumaram;
  • Fatores genéticos e histórico familiar: algumas mutações genéticas, como EGFR, KRAS e TP53, podem aumentar a predisposição ao câncer de pulmão. Pessoas com histórico familiar da doença tendem a apresentar maior risco, especialmente quando essas alterações genéticas estão associadas a outros fatores ambientais ou comportamentais, como tabagismo e poluição.

Cigarro eletrônico também aumenta o risco de câncer de pulmão?

Os cigarros eletrônicos funcionam por meio do aquecimento de uma solução líquida, transformada em aerossol inalado pela pessoa. Embora utilizem uma tecnologia diferente do cigarro convencional, apresentam riscos semelhantes à saúde, pois liberam compostos químicos nocivos que podem causar danos ao organismo e aumentar o risco de diversas doenças.

Embora ainda faltem estudos de longo prazo, já que o uso desse dispositivo é relativamente recente, Thiago explica que há evidências de que o cigarro eletrônico provoca danos significativos ao pulmão. A inalação dos aerossóis pode causar inflamação, fibrose e lesões pulmonares graves.

Além disso, a toxicidade das substâncias liberadas pode ser semelhante à do cigarro convencional. Por isso, existe a preocupação de que, com o passar dos anos, o uso do cigarro eletrônico também esteja associado a um aumento do risco de câncer e de outras doenças respiratórias.

Sintomas do câncer de pulmão

Os sintomas do câncer de pulmão normalmente não aparecem até que o tumor esteja em estágio mais avançado, mas algumas pessoas podem apresentar:

  • Tosse persistente;
  • Escarro com presença de sangue;
  • Dor no peito;
  • Rouquidão;
  • Piora da falta de ar;
  • Perda de peso e diminuição do apetite;
  • Pneumonia ou bronquite de repetição;
  • Sensação constante de cansaço ou fraqueza;
  • Em fumantes, mudança no padrão habitual da tosse, com crises em horários incomuns.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do câncer de pulmão começa, normalmente, a partir da suspeita clínica, baseada em sintomas persistentes ou em achados incidentais em exames de imagem. O primeiro exame mais utilizado é a tomografia computadorizada do tórax, que permite identificar nódulos, massas ou outras alterações pulmonares com maior precisão.

Quando a tomografia mostra uma lesão suspeita, podem ser solicitados exames complementares, como:

  • PET-CT: utilizado para avaliar a atividade metabólica do tumor e verificar se há disseminação da doença para outros órgãos, auxiliando no estadiamento;
  • Broncoscopia: exame realizado para visualizar as vias aéreas e coletar amostras do tumor quando ele está localizado nos brônquios;
  • Biópsia pulmonar: confirma o diagnóstico. Pode ser feita por broncoscopia, punção guiada por tomografia ou cirurgia, dependendo da localização da lesão;
  • Exames moleculares e genéticos: realizados no material da biópsia para identificar mutações específicas, fundamentais para definir o tratamento mais adequado.

Segundo Thiago, é comum que o diagnóstico de câncer de pulmão ocorra após tratamentos repetidos para pneumonia que não apresentam boa resposta. Em outros casos, a doença é identificada durante exames realizados por outros motivos, como tomografias solicitadas após um AVC, investigação de fraturas ósseas ou dores persistentes, muitas vezes quando já existem metástases.

Tratamento do câncer de pulmão

O tratamento de câncer de pulmão depende do estágio da doença, do tamanho do tumor, do acometimento de linfonodos e da presença de mutações genéticas, segundo Thiago. Entre as opções de tratamento, que podem ser combinadas, destacamos:

  • Cirurgia: indicada principalmente nos estágios iniciais da doença, quando o tumor está restrito ao pulmão. Consiste na remoção do tumor e, em alguns casos, de parte do pulmão e dos linfonodos próximos, com o objetivo de eliminar completamente o câncer;
  • Radioterapia: utiliza radiação de alta energia para destruir as células cancerígenas ou impedir seu crescimento. Pode ser usada como tratamento principal em pacientes que não podem ser operados, como complemento após a cirurgia ou em associação com outros tratamentos;
  • Quimioterapia: envolve o uso de medicamentos que atuam de forma sistêmica, atingindo células cancerígenas em todo o corpo. Pode ser indicada antes da cirurgia para reduzir o tumor, após a cirurgia para diminuir o risco de recidiva ou em casos mais avançados da doença;
  • Imunoterapia: estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas;
  • Terapia-alvo: utiliza medicamentos que atuam diretamente em alterações genéticas específicas das células tumorais. É indicado para pacientes que apresentam mutações específicas e tende a causar menos efeitos colaterais do que a quimioterapia tradicional.

Segundo Thiago, pacientes que apresentam mutações genéticas como EGFR e ALK seguem protocolos de tratamento específicos, normalmente com terapias-alvo, e em muitos casos alcançam um melhor controle da doença, que pode se comportar de forma crônica por longos períodos.

Como prevenir o câncer de pulmão?

A prevenção do câncer de pulmão envolve a redução da exposição aos principais fatores de risco:

  • Não fumar e evitar o tabagismo em todas as suas formas;
  • Evitar a exposição ao fumo passivo, especialmente em ambientes fechados;
  • Reduzir a exposição à poluição do ar sempre que possível;
  • Utilizar equipamentos de proteção em ambientes de trabalho com exposição à fumaça, poeira ou substâncias tóxicas;
  • Evitar o uso de cigarro eletrônico;
  • Manter ambientes bem ventilados, principalmente em residências e locais fechados;
  • Realizar acompanhamento médico regular, especialmente em pessoas com maior risco;
  • Considerar o rastreamento com tomografia de baixa dose em fumantes e ex-fumantes de alto risco.

Rastreamento de câncer de pulmão

Diferentemente de outros tipos de câncer, o rastreamento do câncer de pulmão não é indicado para toda a população, sendo direcionado apenas a pessoas com maior risco de desenvolver a doença.

As diretrizes internacionais, como as da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF, 2021), recomendam o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose para pessoas entre 50 e 80 anos, com histórico de tabagismo intenso, definido como carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano, ou que tenham parado de fumar há menos de 15 anos.

Ainda assim, existem riscos associados à investigação de achados positivos, como exames e procedimentos adicionais desnecessários. Por isso, a indicação do rastreamento deve ser individualizada e discutida de forma cuidadosa entre o paciente e o médico.

Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

Perguntas frequentes

Pessoas que nunca fumaram podem ter câncer de pulmão?

Sim. Apesar de ser mais comum em fumantes, o câncer de pulmão também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram, especialmente devido à poluição, exposição ambiental, fatores genéticos ou contato prolongado com fumaça de terceiros.

O que é estadiamento do câncer de pulmão?

O estadiamento é a avaliação da extensão da doença. Ele mostra se o câncer está restrito ao pulmão ou se já se espalhou para linfonodos ou outros órgãos. Essa informação é essencial para definir o tratamento.

O câncer de pulmão tem cura?

A possibilidade de cura depende do estágio da doença no momento do diagnóstico. Em fases iniciais, a cirurgia pode ser curativa. Em estágios mais avançados, os tratamentos visam controlar a doença e melhorar a qualidade de vida.

Quem deve fazer rastreamento para câncer de pulmão?

O rastreamento é indicado para pessoas de alto risco, como fumantes ou ex-fumantes com histórico de consumo elevado de cigarros, normalmente por meio de tomografia de baixa dose.

A alimentação ou o estilo de vida influenciam no risco?

Um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle de doenças crônicas, contribui para a saúde geral e pode ajudar na prevenção. No entanto, essas medidas não substituem a importância de evitar o tabagismo e exposições de risco.

Câncer de pulmão pode dar metástase?

Sim, o câncer de pulmão pode causar metástase, e essa é uma das principais características da doença quando não diagnosticada em fases iniciais.

A metástase ocorre quando células cancerígenas se desprendem do tumor original no pulmão, entram na circulação sanguínea ou linfática e se instalam em outros órgãos, formando novos focos da doença.

Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

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